Há tempos eu ouvi uma frase que marcou demais a minha forma de atuar profissionalmente e de defender o interesse dos meus clientes. É mais ou menos assim: “O papel do advogado é tentar livrar o inocente da pena e o culpado da vingança”. Essa frase teria sido dita por um criminalista, área em que não atuo, mas é aplicável a tudo o que fazemos em favor dos interesses do cliente.
Isso que dizer que a negação nem sempre é o melhor caminho, porque o cliente nem sempre é inocente. Ou nem sempre tem razão plena, ou nem sempre é credor integral ou devedor parcial daquilo que dele se exige. Eu sempre achei que a verdade é o melhor caminho, e que lutar contra o inevitável nem sempre é inteligente. Mas palavras como “inteligência” e “pragmatismo” sao extremamente perigosas, e o cliente nem sempre vê as coisas da mesma maneira que o advogado.
Dois notórios casos muito recentes retratam bem melhor do que palavras esse conflito.
(1) No caso do Panamericano, Silvio Santos tomou a dianteira, assumiu indiretamente a responsabilidade pelo rombo ao dar o restante de seu patrimônio como garantia do empréstimo salvador e com isso obteve dois ganhos imediatos. O primeiro, um empréstimo em condições excepcionais, e o segundo, absolvição pessoal prévia acompanhada da simpatia geral. Há casos de clientes e espectadores oferecendo ajuda até mesmo financeira e de forma totalmente espontânea.
(2) No caso dos cinco jovens que são acusados de agredir alguns transeuntes sem qualquer razão na Avenida Paulista a linha de defesa foi contrária. Pais e advogados preimeiramente negaram as agressões e depois passaram a alegar legítima defesa. Pois já surgiu ao menos um vídeo de câmera de segurança reforçando o que váras testemunhas já diziam – eles agrediram sim, sem qualquer motivo ou provocação.
Em qual dos dois casos os acusados devem se sair melhor? E em qual deles os advogados deram, e executaram, as recomendações mais eficientes? Eu não tenho dúvida de que no segundo caso os advogados agradaram mais ao cliente no primeiro momento, porque é sempre mais agradável ouvir aquilo que se quer realmente ouvir. Mas no final das contas, qual dos dois clientes terá sido melhor defendido?
Será que somos pagos para agradar aos ouvidos ou para defender o melhor interesse do cliente, obtendo ao final do trabalho o melhor resultado possível?
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